A PRIMEIRA ELEIÇÃO

A direção do Sindicato convoca as eleições e a Oposição Sindical registra a chapa 2 e faz a propaganda das suas propostas e de suas bandeiras de luta: 40 horas semanais, aumento real de salários, estabilidade no emprego, pelo fim do peleguismo entre outros. Os primeiros boletins são recebidos de forma ainda desconfiada por uma categoria acostumada ao imobilismo e aos conchavos entre pelegos e patrões, que sempre resultavam em grandes prejuízos para os trabalhadores.

A oposição vai para as eleições e por inexperiência, acaba sendo trapaceada no 1º turno, perde na votação geral por poucos votos, que foram depositados nos pelegos, principalmente pelos aposentados acostumados ao assistencialismo do sindicalismo varguista. No entanto, pelo estatuto da entidade, a pequena diferença favorável à Chapa 1 (situação) determinava a necessidade da realização de um segundo turno por falta de quorum.

Logo depois da apuração a Oposição Sindical descobre que na somatória dos votos oriundos das fábricas depositados para a Chapa 2 (Oposição Sindical) havia dado vitória para a Oposição por uma diferença de 60 votos.

Já com alguma bagagem adquirida por meio da troca de experiência e com a prática do dia a dia, no mesmo dia, delibera-se pela confecção de um boletim da Chapa 2, anunciando a vitória nas fábricas, demonstrando que a maioria dos trabalhadores que estavam no pé da máquina não queria mais o pelego e que era hora de fortalecer e votar na Oposição no segundo turno.

Na segunda votação veio a primeira vitória da Oposição Sindical Metalúrgica. Entretanto, apesar de vitoriosa vem mais um golpe e a direção eleita é impedida de tomar posse. O poder dos empresários e dos mandatários da política local exerce peso dentro do Ministério do Trabalho e o 2º turno das eleições é anulado pela Justiça. De forma vergonhosa a Justiça aceitou a alegação dos pelegos de que a Oposição havia fraudado o pleito. A Oposição, em algumas urnas, não tinha sequer mesários, mas mesmo assim bastou o depoimento de Geremias Hanman, chefe da Freios Varga, atual TRW, de que votos tinham sido roubados pela Oposição, para a Justiça do Trabalho aceitar prontamente o apelo da situação e impedir a posse da chapa vencedora. Coincidência a parte, pouco tempo depois, o tal chefe foi demitido da empresa e foi trabalhar na Prefeitura Municipal como animador de festas.

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